"Quanto tempo o tempo tem?"
de que é feito um pedaço de minuto, das horas, da vida, do inefável...
Mergulho no tempo
No tempo do tempo
No tempo que não tem tempo e no "tempo que o tempo tem"
Solta-se a lenga-lenga de infância:
"o tempo perguntou ao tempo:
-Quanto tempo o tempo tem?
e o tempo respondeu ao tempo que:
-o tempo tem tanto tempo quanto o tempo o tempo tem!"
e, eu ainda não sei de que é feito o tempo...
Sei apenas que tenho todo o tempo do mundo e que não tenho comigo tempo nenhum... (porque o tempo não é nosso...)
Sei que não o sei dividir, nem sequer transportar num dos pulsos que tenho em mim...
Faz-me confusão o tempo que se perde... porque nunca se perde o tempo mas também nunca se encontra...
o tempo...
Também nunca se acha o tempo mas às vezes descobre-se...
o tempo...
ali... além...
E às vezes o tempo é beleza... a beleza que não se pode de facto tocar por não termos tempo... aqui... além...
tempo de quê?
tempo de quem?
tempo... tempo...
e o tempo leva-nos por aí, até chegarmos ao finito... até chegarmos ao infinito... (talvez com o tempo o façamos...talvez...)
e o tempo leva-nos até não conseguirmos ver o finito e o infinito do tempo... porque o tempo não se vê...
mas sente-se...
às vezes sente-se o tempo...
quando olhamos para o espelho e não nos vemos (o tempo faz com que nunca nos queiramos ver de facto ao espelho... transparentes... - precisariamos ainda de mais tempo...)
e quando olhamos para o relógio conseguimos sentir o compassar do tempo...
o toc, toc, toc que às vezes se entremeia com o toque que temos cá dentro....
toctoctoctoctoctoctoctoctooooooooooooooooooo (cá dentro)
e já não sabemos distinguir um do outro
nem o tocar do tempo
nem o tocar do peito
nem o tocar da alma
por nunca sabermos (nunca mesmo nunca sabemos...)
"quanto tempo o tempo tem"
quinta-feira, 30 de junho de 2005
segunda-feira, 27 de junho de 2005
A via trocada
Barraram-te
Cortaram-te o caminho pelo lado esquerdo
a via esquerda...
Dizem-te...
-circule sempre pela direita...
e tu que teimas em ir devagar pela via proibida recebes um clarão dos farois dianteiros de alguém que não conheces...
Buzinam-te, fazem-te sinais duvidosos que vês pelo espelho retrovisor
Porque é que me cortaram o lado esquerdo?
Porque é que eu não posso circular lentamente por aí? - perguntas-te
- é proibido amar...
ficar louco de desejo mas ir devagar!
- ou vais depressa ou és encandeada - são as regras do jogo!!!
-Não percebes que existem timings????
que só se passa para um outro lado num momento sempre efémero???
que a melhor maneira é espatifares-te contra as barreiras do equílibrio???
-já não tens tempo!!!
- és estranha, lentamente estranha!!
- não circulas em tempo real e esta via não é para ti!
As vozes calam-se...e tu que erraste a norma, deixaste por ora de conduzir a tua vida!
Cortaram-te o caminho pelo lado esquerdo
a via esquerda...
Dizem-te...
-circule sempre pela direita...
e tu que teimas em ir devagar pela via proibida recebes um clarão dos farois dianteiros de alguém que não conheces...
Buzinam-te, fazem-te sinais duvidosos que vês pelo espelho retrovisor
Porque é que me cortaram o lado esquerdo?
Porque é que eu não posso circular lentamente por aí? - perguntas-te
- é proibido amar...
ficar louco de desejo mas ir devagar!
- ou vais depressa ou és encandeada - são as regras do jogo!!!
-Não percebes que existem timings????
que só se passa para um outro lado num momento sempre efémero???
que a melhor maneira é espatifares-te contra as barreiras do equílibrio???
-já não tens tempo!!!
- és estranha, lentamente estranha!!
- não circulas em tempo real e esta via não é para ti!
As vozes calam-se...e tu que erraste a norma, deixaste por ora de conduzir a tua vida!
sexta-feira, 20 de maio de 2005
quinta-feira, 19 de maio de 2005
terça-feira, 10 de maio de 2005
quinta-feira, 21 de abril de 2005
Equívocos
"(...) estarmos tão unidos que pudéssemos ser completamente livres;
estarmos tão livres que pudéssemos ser absolutamente claros;
estarmos tão claros que pudéssemos ser uns e outros sem nunca ser equívocos"
Jacinto Lucas Pires
estarmos tão livres que pudéssemos ser absolutamente claros;
estarmos tão claros que pudéssemos ser uns e outros sem nunca ser equívocos"
Jacinto Lucas Pires
sexta-feira, 1 de abril de 2005
a janela
da minha janela eu via o mar
e a lonjura dos teus olhos fizeram-me sonhar
sonhar que havia um mundo para além
sonhar que um dia eu deixaria de ser ninguém
na minha janela
deixei de te ver ao ver-te
(ver-te com ela da minha janela)
e os olhos outrora belos se turvaram
não por serem baços
não por se firmarem
mas porque a verdade nem sempre trás com ela o mar da minha janela
e em silêncio os sonhos se ficaram
a maresia voltou a entristecer
e os teus olhos agora desvitrificados deixaram-me cadáver
ainda antes do anoitecer
ainda antes da morte me deixar morrer
continuo a tentar ver-te da minha janela
não para que me apareças nela
mas para que a beleza voltasse a permanecer bela
e o sol... o sol da minha janela voltasse a unir-se ao mar
a fazer-me sonhar nos longos traços da lonjura inicial
como se da morte surgisse a Luz primordial
e eu voltasse a ver de facto o mar
o mar que de lá de longe me chama de novo a amar
o mar que antigamente se via da minha janela
e a lonjura dos teus olhos fizeram-me sonhar
sonhar que havia um mundo para além
sonhar que um dia eu deixaria de ser ninguém
na minha janela
deixei de te ver ao ver-te
(ver-te com ela da minha janela)
e os olhos outrora belos se turvaram
não por serem baços
não por se firmarem
mas porque a verdade nem sempre trás com ela o mar da minha janela
e em silêncio os sonhos se ficaram
a maresia voltou a entristecer
e os teus olhos agora desvitrificados deixaram-me cadáver
ainda antes do anoitecer
ainda antes da morte me deixar morrer
continuo a tentar ver-te da minha janela
não para que me apareças nela
mas para que a beleza voltasse a permanecer bela
e o sol... o sol da minha janela voltasse a unir-se ao mar
a fazer-me sonhar nos longos traços da lonjura inicial
como se da morte surgisse a Luz primordial
e eu voltasse a ver de facto o mar
o mar que de lá de longe me chama de novo a amar
o mar que antigamente se via da minha janela
quinta-feira, 31 de março de 2005
a escada escura
subo a escadaria escura
o incontornável som da madeira rangente
os bichos que a corroem no silêncio
não acendo a luz
(nunca acendo a luz com o desejo secreto que me descubras no breu)
vou desfazendo a escada a cada subida
a cada descida
a cada passo
o esmigalhar lento como a uma espécie de bolacha
farinha que vou deixando como um rasto
chego ao patamar emprestado
alugado à pressa para se poder viver
estás sentado à minha espera
pergunto-te: porque me esperas?
respondes: "porque é (sempre) útil" esperar-te!
sou ali mesmo o pedaço de chão que esmigalhei há instantes
o vão de escada
(em vão...)
o incontornável som da madeira rangente
os bichos que a corroem no silêncio
não acendo a luz
(nunca acendo a luz com o desejo secreto que me descubras no breu)
vou desfazendo a escada a cada subida
a cada descida
a cada passo
o esmigalhar lento como a uma espécie de bolacha
farinha que vou deixando como um rasto
chego ao patamar emprestado
alugado à pressa para se poder viver
estás sentado à minha espera
pergunto-te: porque me esperas?
respondes: "porque é (sempre) útil" esperar-te!
sou ali mesmo o pedaço de chão que esmigalhei há instantes
o vão de escada
(em vão...)
sábado, 19 de março de 2005
Digestão curta
Digere-me ...
Digere-me aqui no meio do restaurante
Onde me ofereceste um cardápio bafiento de tasca mal frequentada
(Seu cabrãozão de meia tijela... de pós refeição semi-digerida-penso)
- Que refeição pretendes tomar caro senhor?
Cozido... Frito... ou guisado?
- Hum... deixa-me pensar...pensar... pensar... esquematizar...
bom.. o tradicional e do costume...
(- A que soube a carne lenta da memória incerta hã???? TOU A FALAR CONTIGO CABRÃO!-digo em silêncio - com os olhos brilhantes)
Digere-me...
cega-me com um garfo...
corta-me em pedacinhos a menina dos olhos
Devora a polpa com uma colher de sobremesa mal lavada ainda com resquícios de chantilly
tem a coragem de me provares...
de saciares a tua barriga de padre excomungado
o empregado pergunta:
- Já pediram?
E tu agoniado com uma sobremesa que não pediste vomitas em cima da mesa...
-Isto não são maneiras! ainda podem pedir mas não troco a toalha! - diz o empregado
Sais do restaurante semi-curvado a quereres vomitar as próprias entranhas...
As claras do chantilly tinham a sicuta dos gregos antigos... lembras-te?
Despeço-me do empregado agradecendo a refeição que não experimentei
Sigo em direcção à saida como se me lembrasses o caminho desde o início...
Mesmo cega não tropeço, sigo hirta... firme...
deixaste-me um rasto de odor tão intenso... que o caminho é fácil!
Estás cá fora a espumar a sobremesa - cheiras a podre misturado com vomitado...
Pergunto-te - estarás pronto para o jantar?
Já marquei a mesa
Digere-me aqui no meio do restaurante
Onde me ofereceste um cardápio bafiento de tasca mal frequentada
(Seu cabrãozão de meia tijela... de pós refeição semi-digerida-penso)
- Que refeição pretendes tomar caro senhor?
Cozido... Frito... ou guisado?
- Hum... deixa-me pensar...pensar... pensar... esquematizar...
bom.. o tradicional e do costume...
(- A que soube a carne lenta da memória incerta hã???? TOU A FALAR CONTIGO CABRÃO!-digo em silêncio - com os olhos brilhantes)
Digere-me...
cega-me com um garfo...
corta-me em pedacinhos a menina dos olhos
Devora a polpa com uma colher de sobremesa mal lavada ainda com resquícios de chantilly
tem a coragem de me provares...
de saciares a tua barriga de padre excomungado
o empregado pergunta:
- Já pediram?
E tu agoniado com uma sobremesa que não pediste vomitas em cima da mesa...
-Isto não são maneiras! ainda podem pedir mas não troco a toalha! - diz o empregado
Sais do restaurante semi-curvado a quereres vomitar as próprias entranhas...
As claras do chantilly tinham a sicuta dos gregos antigos... lembras-te?
Despeço-me do empregado agradecendo a refeição que não experimentei
Sigo em direcção à saida como se me lembrasses o caminho desde o início...
Mesmo cega não tropeço, sigo hirta... firme...
deixaste-me um rasto de odor tão intenso... que o caminho é fácil!
Estás cá fora a espumar a sobremesa - cheiras a podre misturado com vomitado...
Pergunto-te - estarás pronto para o jantar?
Já marquei a mesa
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Esta rua
Nesta rua passam carros muito novos
E entre os novos passam carros muito velhos
E passam pessoas...
E passam pessoas velhas
E passam pessoas novas
(menos velhas do que novas)
As velhas passam cansadas
e as novas passam e não se sabe muito bem como estão...
Passam pessoas...
Passam namorados
Apaixonados, enamorados ou até zangados
Passam namorados agarrados
passam namorados afastados
e passam rapazes que puxam as raparigas arrastando-as
e passam raparigas amuadas com namorados seguidistas olhando para o chão
Será que se amam?
Será que não?
E passam crianças que floriram ainda na última Primavera
E riem ao Sol...
Não percebem ainda que os carros novos têm novas letras
e que os velhos estão prestes a parar
e que quando forem "grandes" escolherão talvez também esta rua para namorar.
E entre os novos passam carros muito velhos
E passam pessoas...
E passam pessoas velhas
E passam pessoas novas
(menos velhas do que novas)
As velhas passam cansadas
e as novas passam e não se sabe muito bem como estão...
Passam pessoas...
Passam namorados
Apaixonados, enamorados ou até zangados
Passam namorados agarrados
passam namorados afastados
e passam rapazes que puxam as raparigas arrastando-as
e passam raparigas amuadas com namorados seguidistas olhando para o chão
Será que se amam?
Será que não?
E passam crianças que floriram ainda na última Primavera
E riem ao Sol...
Não percebem ainda que os carros novos têm novas letras
e que os velhos estão prestes a parar
e que quando forem "grandes" escolherão talvez também esta rua para namorar.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
terça-feira, 7 de dezembro de 2004
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