sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

gomo a gomo...

e entre pinceladas
entre tintas
entre rossos e paredes abertas
entre chão por tratar e caixas para empacotar
entre acampamentos e chuva
entre pó a lama
cimento e cal
gesso e madeira

entre o muro e a laranjeira...
deixo-vos já a música que alimenta uma forma citrina de viver...



...sorvê-la inteira... gomo a gomo...



Arabesca - At-Tambur

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

"my dust will tell what my flesh would not"


Soon This Space Will Be Too Small - Lhasa




"Soon this space will be too small
And I'll go oustide
To the huge illside
Where the wild winds blow
And the cold stars shine

I'll put my foot
On the living road
And be carried from here
To the heart of the world

I'll be strong as a ship
And wise as a wale
And I'll say the three words
That will save us all
And I'll say the three words
That will save us all

Soon this space will be too small
And I'll laugh so hard
That the walls cave in

The I'll die three times
And be born again
In a little box
With a golden key
And a flying fish
Will set me free

Soon this space will be too small
All my veins and bones
Will be burned to dust
You can throw me into
A black iron pot
And my dust will tell
What my flesh would not

Soon this space will be too small
And I'll go oustide
And I'll go oustide
And I'll go oustide"

domingo, 4 de janeiro de 2009

2009


um bom ano só começa
com o som de bons estilhaços
a espantar o ano que passou



" a tradição já não é o que era"
a vida por aqui também não!







Resolução para 2009 - baile nos pés uma vida inteira, botas rotas mas felizes!!!
:)



































(foto: tradballs -passagem de ano 2008)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008



Let the show begin
It's a sorry sight
Let it all deceive
Now I'm
Pains in me that I've never found

Let the show begin
Let the clouds roll
There's a life to be found in this world
And now I see it's all but a game
That we hope to achieve
What we can
What we will
What we did suddenly

But it's all just a show
A time for us and the words we'll never know
And daylight comes and fades with the tide
And I'm here to stay

But it's all just a show
A time for us and the words we'll never know
And daylight comes and fades with the tide
I'm here to stay









(beth gibbons & rustin man - "show")

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


conheci um homem que se alimentava de palavras
e era tão magro, tão magro
que desapareceu...























(foto:deranged - "looking so long for the words to be true")

"raining cats and dogs"


os meus cães ladram nas ruas onde eu passo sem me conhecer
e os gatos reclamam a casa vazia em que os deixei...



... não, não estou longe...

estou apenas no quarto ao lado daquele onde acontece o mundo.



















(foto:renata virzintaite- "raining cats and dogs")

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

acção de graças

sempre acreditei em milagres, coisas simples... (mal percebemos...)
agora tenho a certeza que eles existem
passam por nós
e dão-nos a oportunidade de vivermos, uma vez mais




sete vidas têm os gatos...


nunca saberemos quantas estão destinadas a cada um de nós...






















"vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora..."
mat. 25:13

domingo, 7 de dezembro de 2008






















quem empreende a vida na conquista de uma borboleta,
esmigalha centenas de casulos pelo trilho
















(pedro s. martins
foto:nikolay zhelyazkov - "butterfly route")

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

por dentro - ára bátur




















(sigur rós)

"Há uma religião de que não se fala nas igrejas, o amor pelas pedras e a terra, as plantas e os animais, os livros e os barcos. É uma ideia estranha, quase irónica, mas talvez eu tenha amado demais.
Ele costumava dizer que eu não tinha o dom de amar, como certas pessoas não têm o dom de fazer crescer uma planta (...)

Eu gostei de Max pelo seu aspecto e a sua casa, e a sua forma de beijar, e a primeira memória de lilases, e as pinturas de El Greco... Eu amei-o como só um ser maldito pode amar outro ser maldito (...)"

















(ana teresa pereira - "o verão selvagem dos teus olhos"
foto:druid - "picture")

quarta-feira, 5 de novembro de 2008












"a memória que tinha dela?
a memória que tinha dela era o vazio de nunca a poder apagar da memória... que era ela..."

















(texto: víria veraz
foto:roksana mical - "untitled")

domingo, 2 de novembro de 2008

sintra é semelhante a bruges

"maybe hell is just this...
being in fucking bruges"1











"toda a beleza é terrível"2












(1- do filme "in bruges" de martin mcdonagh
2- Teixeira de Pascoaes disse: "todo o anjo é terrível"... ele sabia... ele sabia...)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


"Hit her with a hammer
Teeth smashed in
Red tongue twitching
Look inside her skeleton

My fingers sting
Where I feel your fingers have been
Ghostly fingers
Moving my limbs

Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you

Daddy's in the corner
Rattling his keys
Mommy's in the doorway
Trying to leave

Nobody's listening
Nobody's listening
Nobody's listening
Nobody's listening
Nobody's listening
Nobody's listening
Nobody's listening
Nobody's listening

Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you
Oh God I miss you"
















(letra: p j harvey - "the piano lyrics"
foto: não identificada)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

i'm a ghost story


eu costumava morrer por acidente. entendam:
eu não sabia o que eram corpos desabotoados.
eu tinha sentimentos exactos e caía em poços
que não vinham nos meus mapas de algibeira.
agora caminho acompanhado por quem partiu
e abandono-me metodicamente a cada desastre.







(texto: pedro jordão
in, revista criatura nº2

foto:laika - ".")

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


claro que se tem medo que alguém nos entre pelos olhos.
mas podes arder. para a tua temperatura sou mercúrio, linhas da mão, lábio e sopro. atravesso-te porque me atravessas e onde somos corsários rendemo-nos ao encanto da devolução.


tu e eu à espera de um lugar que vai fechar tudo numa árvore.
aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo.


sou um animal. necessito diariamente da transfusão de uma enorme quantidade de calor. tocas-me?














(in, " a paixão e prisão de egon schiele" - vasco gato
foto: ailine liefeld - "room stories")

no tempo em que as avós falavam
as manhãs cheiriscavam a café acabado de fazer
borra repousada no fundo ao custo de uma brasa
e bolo de manteiga quente com sabor a erva doce

















(foto:katia chausheva - "conversation")

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


fazes um rasgo, e outro e outro
a lâmina tece estórias como se fossem linhas
escreve sulcos como se fossem palavras
a pele esburgada há pouco em silêncio cumpre o rito
ninguém teve culpa que a ave tivesse caído por terra sem rumo no teu quintal
por muito que te custe, o estomâgo ronca
e dá horas à soma dos dias de jejum forçado
ninguém teve culpa
pegas na cutela com a carga de um homicídio premeditado mas
há fomes que têm que ser abatidas antes que nos consumam e ardam cá dentro
incapazes de se circunscrever
largas pequenas gotículas, uma a uma
salgas as carnes rosto abaixo
e ditas os gestos que amparem o jantar humilde
lembra-te - ninguém teve culpa, ninguém teve culpa
que a ave se tivesse abeirado da bala em pleno ar
ninguém teve culpa
se te pedirem contas do sucedido
podes explicar ao advogado a legítima defesa, que a fome
é coisa que pode matar, e afinal, canja é sopa de gente pobre mais nada
caldo quente no prato esboucelado cedido pela vizinha
lembra-te - ninguém teve culpa, ninguém.















(foto:cyril auvity - "sacrifice")