terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

desaprendi de viver
já não sei falar nem andar
já não sei conversar com um café em frente

desaprendi de escrever
junto palavras como puzzles
imagens como se fossem filmes inacabados

pronuncio mal as letras
e não já não reconheço os vultos

tenho apenas uma lembrança
que é já uma certeza:
entre a vida e a morte ninguém dará por mim...
há quem diga que o que me mantém no quarto fechado
é a vigilância da morte

eu digo-vos que descobri uma amiga entre as palavras
e nela habitam todas as vozes do mundo





batem à porta: ouço
é ela - deixem a solidão entrar monstros meus!

sábado, 12 de fevereiro de 2011


talvez já te tenha dito isto:
ainda antes de o mundo ter acabado
connosco dentro
eu já nada esperava que me desses
o mundo acabou e não trouxe nada de novo...

























(foto da obra de frida khalo, "broken column")

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


"a um certo nivel permanecemos orfãos para toda a vida; olhar por crianças é uma maneira de olharmos por nós próprios"

















ian mcewan
in, "cães pretos"

domingo, 26 de dezembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010












Notempoemquenosconhecíamospelocheiro,haviaumaribeiraeumrelógioparadonocantodasalaeumamesasempésondenosdeitávamosparatomarcháquentemergulhávamosastisanassem medoervastingidasdetransparentecoloraçãonaturaldehenaos cabelos sujos de terraacasafria enregeladossóosnossoscorposconseguiamalgumcalordereservao bafoasairemvaporessilenciosos
a jane la fecha da que s e em bac i ava















(foto: paul baranowski - "untitled")

domingo, 10 de janeiro de 2010




às vezes ponho-me a pensar amor...
que das melhores coisas que na vida fizeste
foi teres-me deixado...










(foto:katia chausheva - 'untitled')

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

soon this place will be too small




she said:


Then I’ll die three times
And be born again
In a little box
With a golden key
And a flying fish
Will set me free







diziam que este ano iam ser muitas... muitas as mortes...
mas tantas... tantas...
...
...

domingo, 27 de dezembro de 2009

precisamos de uma arma que nos acerte em cheio desde o coldre

sábado, 28 de novembro de 2009


“até nos tempos mais sombrios temos o direito de esperar ver alguma luz, e é bem possível que essa luz não venha tanto das teorias e dos conceitos, como da chama incerta, vacilante, e muitas vezes ténue, que alguns homens e mulheres conseguem alimentar em quase todas as circunstâncias e projectar em todo o tempo que lhes foi dado viver neste mundo (…)”

Hanna Arendt









(foto:katia chausheva - the master of puppets)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

a matança


não, meu amor
não temos que 'amestrar demónios'
e muito menos que alimentá-los
se há uma natureza
talvez seja essa
de os ver morrer logo à nascença
pelas mãos...













(foto: inês d'orey)











(foto: inês d'orey)

comprei um livro pela capa! - (alguém que me prenda e não oferecerei resistência) - os meus olhos comem imagens inteiras e palavras de sangue


"derramavam-se sobre os móveis prometendo
calor no inverno, as excessivas subtilezas
de março ou
um crescer maligno de glaciares em
agosto
quando a voz morria as mulheres saíam
para ver
a luminescência do céu tombando pouco
importava que lhes caísse basta
um templo para caiar de branco uma cidade"





(poema: andreia c. faria
foto: inês d'orey - my suicides (série))