Quarta-feira, Novembro 11, 2009

i lost my videotape

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

a matança


não, meu amor
não temos que 'amestrar demónios'
e muito menos que alimentá-los
se há uma natureza
talvez seja essa
de os ver morrer logo à nascença
pelas mãos...













(foto: inês d'orey)












(foto: inês d'orey)

comprei um livro pela capa! - (alguém que me prenda e não oferecerei resistência) - os meus olhos comem imagens inteiras e palavras de sangue


"derramavam-se sobre os móveis prometendo
calor no inverno, as excessivas subtilezas
de março ou
um crescer maligno de glaciares em
agosto
quando a voz morria as mulheres saíam
para ver
a luminescência do céu tombando pouco
importava que lhes caísse basta
um templo para caiar de branco uma cidade"





(poema: andreia c. faria
foto: inês d'orey - my suicides (série))

Terça-feira, Outubro 20, 2009

será caso??

parece-me muitas vezes que uma melhor apetência para falar de temas futeis e do quotidiano reflecte em muito uma menor capacidade de escuta interna... será caso para dizer "quem muito fala pouco aprende?"

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

a possibilidade de perseguições impossíveis

sempre trabalhei muito para perseguir aquilo que queria
o problema antigamente é que
talvez por insegurança
eu queria o que os outros queriam que eu quisesse

entretanto o mundo deu-me a volta
para uma visão mais larga
nos contornos de um corpo mais curto

vejo-me de fora...
olhos gastos
sombra inquieta por dentro da pele

já não sei o que sou
e muito menos o que quero
mas continuo a trabalhar muito
nesse acossamento inutil
de buscar-me infinitamente
agora em mim

Terça-feira, Setembro 29, 2009

da alienação

em épocas de crise
os extremos agudizam
há quem viva do material e apele ao bem-estar
há quem viva do espiritual e apele às profecias
quase todos preferem
o refúgio das palavras seguras e formatadas
o papaguear brando de slogans de felicidade empacotada em luzes de néon

e eu navego
guardo-me nas valetas de um silêncio brando
prefiro o fio da navalha que me faz existir
ondas muitas...
mar demasiado grande para lhe poder chegar
néon apagado
os vidros na mão

Domingo, Setembro 20, 2009

swim to me... sail to me... let me enfold you...

"On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.

And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."

Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?

Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."



(song to the siren - this mortal coil)

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

com o tempo tornamo-nos decifráveis
como cartões recortados de fundo desenhável
como peças de um lego fácil

mentes tortuosas
inspirando a puerilidade oca
as mesmas palavras
os sons todos na cabeça febril
no mercúrio por fim: ouço agora... nenhum som...