apesar dos vazios sabemos pouco das mãos e de como o nada as invade se as fecharmos mais não digo pois as palavras são escassas e até os silêncios habitados são agora difíceis de alcançar...
(foto:sophiarui - "por cada janela aberta se fecha uma porta")
(fotos:sophiarui: "caminhas tão lento que não consigo seguir-te")
demorei a saber que o lugar onde se enterram os loucos é esse mesmo onde os vivos-de-lucidez-fria têm de sobreviver caos apurado num lugar aparentemente limpo palco nu onde agora já não existem reis nem rainhas nem qualquer trono que mande tocar uma marcha nupcial branda
ouço esta música... ouço-a...
no silêncio fingido da sala já não existem roupas que me sirvam nem cabides onde me possa pendurar-boneco estrangulamento-precoce-em-cabide-incerto para seguir em frente para ensandecer-bruta barro por moldar nenhum trono...
restas porém água-em-deserto-fundo... três pontos em triângulo na face encostada cova funda em queixo por desvendar...
sei localizar-me na morte como sei onde fica a minha mão direita suportando a cabeça do ser
a calma é um lugar breve calado na noite...
(foto:sophiarui - "um-corpo-esculpido-de-feras")
segunda-feira, 2 de março de 2009
há um respirar baço a lua cai em abismo sobre mim ninguém nota nunca ninguém nota mesmo que se demorem em mim os mil anos que a saturação dos séculos oferece aos espiritos impuros
chove todos falam do poder da terra de como se movem os campos instigados pela sombra
mas tu, olhar breve confinado por estacas lanças na madrugada o que sempre esteve cá....
coloco os meus óculos gastos para que te poder chegar...