quinta-feira, 19 de julho de 2007


"A busca activa é nociva, não apenas ao amor, mas também à inteligência, cujas leis imitam as do amor. É necessário esperar simplesmente que a solução de um problema de geometria, que o sentido de uma frase latina ou grega surjam no espírito. Por maioria de razão, também assim com uma nova verdade científica, com um verso belo. A busca conduz ao erro. É assim com toda a espécie de bem verdadeiro. O homem não deve fazer outra coisa senão esperar o bem e afastar o mal. No tumulto que constitui a condição humana, a virtude autêntica em todos os domínios é coisa negativa, pelo menos na aparência. Mas esta espera do bem e da verdade é algo mais intenso do que toda a busca."

Simone Weil
in A Espera de Deus



(foto:michal matusiewicz - "the young monk in his buddhist-cloister room")

quarta-feira, 18 de julho de 2007



hoje queria que alguém me guiasse... livremente...
... assim... ao som de uma mazurka...

(de olhos fechados)



(foto:hugo lima - "mazurka")

terça-feira, 17 de julho de 2007

signal to noise




You know the way that things go
When what you fight for starts to fall
And in that fuzzy picture
He writing stands out on the wall
So clearly on the wall

Send out the signals deep and loud

And in this place, can you reassure me
With a touch, a smile while the cradles burning
All the while the world is turning to noise
Oh the more that its surrounding us
The more that it destroys
Turn up the signal
Wipe out the noise

Send out the signals deep and loud

Man Im losing sound and sight
Of all those who can tell me wrong from right
When all things beautiful and bright
Sink in the night
Yet theres still something in my heart
That can find a way
To make a start
To turn up the signal
Wipe out the noise

Wipe out the noise
Wipe out the noise
You know thats it
You know thats it
Receive and transmit
Receive and transmit
Receive and transmit
You know thats it
You know thats it
Receive and transmit
You know thats it
You know thats it
Receive and transmit



(letra: peter gabriel
foto: katia chausheva -"strangers in the night")




(http://obsessedbythissong.blogspot.com/2007/07/signal-to-noise.html)

quarta-feira, 11 de julho de 2007

quarta-feira, 4 de julho de 2007

dança, dança comigo
esta música que é a morte
o barulho inquieto
do inflamar dos dias

a vertigem do teu ser
quando em vão te esticas

infinito luar no lugar do nome

dança, dança comigo
voo imparável na sarça ardente

ergue-me apenas dos destroços
areia quente no deserto do fim





(http://obsessedbythissong.blogspot.com/2007/07/tabula-rasa-miguel-roblesarvo-part.html)

domingo, 1 de julho de 2007



talvez um dia
me seja dado compreender a luz
talvez um dia
quando a luz e o branco já não derem por mim...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

play dead



darling stop confusing me
with your wishful thinking
hopeful enbraces
don't you understand?
i have to go through this
i belong to here where
no-one cares and no-one loves
no light no air to live in
a place called hate
the city of fear

i play dead
it stops the hurting
i play dead
and hurting stops

it's sometimes just like sleeping
curling up inside my private tortures
i nestle into pain
hug suffering
caress every ache

i play dead
it stops the hurting


(letra: bjork
foto:lilya corneli "black and white series")

www.obsessedbythissong.blogspot.com

terça-feira, 26 de junho de 2007



ao v.g. acerca de 47 e outros números



(se algum dia te encontrar por aí
numa rua qualquer desta cidade)

juro
sussurrar-te ao ouvido
um poema teu...





(foto:velislava - "sqnka i (koteshka)")

segunda-feira, 25 de junho de 2007


nascida do grande mar
entrincheirei-me num aquário improvisado
redoma plástica
transparência demente de ilusória
resguardo das ondas mais traiçoeiras




tão longe do tempo verdadeiro
adiada da vida que sou




rebentem-me este saco informe!
apaguem-me os contornos de mim!






(foto:taesang-"untitled")

segunda-feira, 18 de junho de 2007



nunca percebi grande coisa deste mundo



desde pequena que olho para as coisas
como se fossem lugares parados
sombras por abrir na mais alta escuridão

a minha mãe dizia-me que eu era uma criança calada
ensimesmada no mundo por vir
ficava quieta até à frente do aparelho
onde normalmente um homem dizia as notícias da última noite

nessa altura talvez eu ainda não soubesse o que era a noite
(talvez intuisse só que ela existia... por ali...)

sabia das sombras mais escuras da casa
de como eu as desafiava no pequeno corredor de volta ao quarto



- porque não acendes a luz filha?

- e se um dia não houver lâmpadas? nem velas mãe?




e ela calava a minha escuridão com o toque de um dedo
não percebia que eu queria ver para além dali
daquela luz que me parecia mentida
fundida nas paredes do quarto
sombras forjadas à espera da manhã


desde pequena
eu queria atravessar o escuro
o lugar parado que ninguém queria atravessar
(o que haverá para além mãe?)

e continuamente ela acendia a luz como se me guiasse
na ilusão que eu esquecesse as madrugadas mais fundas
onde ela intimamente me sabia acordada

embalava-me na noite com aquela lâmpada improvisada
como se me quisesse ocultar o mais puro segredo
como se me adiasse o destino
só por mais um tempo


nunca percebi grande coisa deste mundo


preso à ideia de liberdade
pacificado na mais funda guerra


que sufoca na luz
e perpassa as trevas como um alvo a abater






sim,conheço pouco do mundo...

viajo por dentro
onde nunca me pedem bilhete

já fui à china e ao japão
ao deserto e a veneza

já tive sede e fome

e sobrevivi quieta
no abismo de mim

viajei parada
como se andasse milhas
e a acalmia dos dias
é a tramutação da mais funda dor


agora sei o que é a noite
e a escuridão
e gosto da tristeza como se de uma irmã

os únicos passos que dei foram
nesse corredor pequeno da casa que me leva ao quarto


não consigo dormir perante a sombra mais escura
não consigo parar a dor por me mostrar tão além...




nunca percebi grande coisa deste mundo



e vou ficando por aqui parada
quieta como quando te fazia perguntas:

- o que haverá para além da noite mãe?



(foto: marilia campos)


os anjos caídos
são sempre os anjos mais altos...

são os que encerram o voo das almas
e em segredo sentem o seu quebrar
no mais íntimo e fundo de si...


(foto:lilya corneli)

terça-feira, 12 de junho de 2007



em silêncio a menina vermelha fala com os lobos baços
e eles escutam a sua voz...

...nas noites mais escuras...


(desenho inspirado por gaston vinas
letra do desenho - radiohead)
www.obsessedbythissong.blogspot.com

quinta-feira, 7 de junho de 2007

"Like Spinning Plates"




While you make pretty speeches,
I'm being cut to shreds
You feed me to the lions,
a delicate balance

And this just feels like spinning plates
I'm living in cloud cuckoo land
And this just feels like spinning plates
My body is floating down the muddy river













(letra: radiohead
foto:darren holmes - "pearl soft life")

www.obsessedbythissong.blogspot.com

quarta-feira, 6 de junho de 2007



junho volta a ser
um mês sem rosto

dias de calar





o silêncio e quietude das pedras




(foto:dorota wroblewska - "faces")

terça-feira, 5 de junho de 2007


aos teus ombros colocarei somente os meus dedos flutuantes, vazios de qualquer pesar...

(foto:velislava "division by mirror2")

segunda-feira, 4 de junho de 2007

mergulha em mim






mergulha em mim
neste aquário informe
nestas paredes de vidro
frágeis
tão frágeis prestes a quebrar

mergulha em mim
com as tuas mãos pesadas
com o teu pulso forte
com a decisão de um peixe
prestes a tomar uma presa

mergulha em mim
neste líquido estranho
nesta água impregnada
retida
para ser tomada

mergulha em mim...

sabes da grandeza do oceano
e de como isto é uma gota
em que não poderás satisfazer-te
nunca neste rio parado


ainda assim
peço-te
mergulha em mim
para num segundo podermos
liquefazermo-nos amor
em amor
os dois...

(foto:helena almeida)

sábado, 2 de junho de 2007

arrábida -27 de maio de 2007




um bocadinho de céu... e a coroação das crianças... sempre!



"Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!" (at 2,1-11)
















- vulto negro de onde vens?
que nesse negrume me velas

- venho levar-te às entranhas
no mais profundo que há nelas

- vulto negro tenho medo
de ao espelho para ti olhar

- sou só isto, vem a mim
nos caminhos te hei-de levar

- vulto negro, eu não queria
entregar-me a ti assim

- abre a janela menina
atira-te e vem até mim!

- vulto negro na treva me guias
porque estás ainda aqui?

- estou aqui para te dar no negro
o branco que há em ti...

quarta-feira, 30 de maio de 2007