terça-feira, 3 de janeiro de 2006


dizes, de quando me conheceste, que ficaste com medo do branco...

então, lentamente, despi-me dos paramentos que trazia e encarei-te de frente.

já lá não estavas!

mais tarde por entre uma cortina de fogo disseste:

- deixei de ter medo, de ter medo de ti - podemos encontrar-nos agora?

eu acedi, mas o teu brilho encandeou-te (deixaste a treva por momentos mas já não sabes lidar com o teu próprio brilho esquecido no tempo - desistes sempre!)

despi-me novamente mas a cortina fechou-se...

sobre o branco despida ali fiquei... aninhei-me no meu corpo com a falta do teu e deixei-me ficar no silente momento das flores que me ofereceste...

sim! são brancas as flores que me ofereceste!
sim! lembram-me a tua face clara no meio do breu!
sim! não notaste ainda que o brilho de que te afastas é todo teu?

Ainda tens medo do branco?

(foto: lilya corneli - "dreaming of a heart")