segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


tenho a plena noção que não fui feita para finais felizes...
aliás, na minha vida nem sei muito bem onde tal noção se possa encaixar

isso não é de todo uma fatalidade
é talvez apenas uma outra forma de por aqui andar...






(foto: lilya corneli - "patchwork series")

sábado, 2 de fevereiro de 2008

às vezes este silêncio irrita-me
aliás, este blog às vezes irrita-me
MESMOOOOO!!!!


vou gritar!!!
hoje sou isto!!!
WILD FORCE ON A FREE WAY!!

ninguém me pode parar! afastem-se!!

finalmente descubro que também consigo ser PUTAAAA!!
e sabe-me BEMMMM!!!!




quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


God, originally uploaded by dreaminfinity.




"I sense there's something in the wind
That seems like tragedy's at hand
And though I'd like to stand by him
Can't shake this feeling that I have

The worst is just around the bend
And does he notice
My feelings for him?
And will he see
How much he means to me?
I think it's not to be

What will become of my dear friend?
Where will his actions lead us than?
Although I'd like to join the crowd
In their in enthusiastic cloud
Try as I may it doesn't last

And will we ever
End up together?
No I think not
It's never to become
For I am not the one"



(foto: dreaminfinity
letra: fiona apple - sally's song)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008


Arte em palco, originally uploaded by dreaminfinity.








tu entravas com a tua sombra reflectida de neves
gelo ardente por dentro
o poder da voz soçobrada

tu entravas
e eu não dizia nada...

"que silêncio sepulcral!" - dizias

(canto interior das tuas margens
só ali naquele palco unidas)





(foto:dreaminfinity
frase: nuno vicente - "renaissance - memória habitada a 6 mulheres")

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


confesso que gosto muito de amores furtivos


não, ninguém saberá da nossa história...










(foto:yong chon yi - "untitled")

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008




"algumas vezes me apaixonei, mas confesso, nem sempre pude suportar essa solidão"


francisco josé viegas










(foto:al calkins - "untitled")

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008




"não fui margem sem outra margem onde ligar os braços
mas fui o tempo solto para entrançar os meus cabelos
e o movimento dos teus pés descalços

não fui solidão inteira nem reclusa
para o único repouso entre o silêncio
nem fui a flor exausta defendendo-se
de toda a mão que a quis despetalar

não fui a casa que a si mesma se abrigou
nem a morada que nunca se acolheu
mas o tempo a pedir que me deixasse

naquilo que não fui vim encontrar-me
e sempre que te vi recomecei"







daniel faria, "explicação das casas"
poesia pag.59
edições quasi



(foto:sophiarui - trabalho sobre imagem de waterhouse)

ouço os 3 minutos finais de October 17 1988 de Keith Jarrett e tudo me parece belo no mundo...

a maior beleza é sempre terrivelmente triste...













(foto:assunta - "the piano")

last snowstorm of the year





"when we were young
we wanted to die
but the sound of a drum
and the words of a child
brought different light
now no one can tell
the winter was nice
but the summer is hell

the ground was so hard
the nights were so long
but we suffered the dark
and we wrote all those songs
still I was a fool
i covered my ears
no I would not face the last snowstorm of the year
no I would not face the last snowstorm of the year"




(letra:low - "last snowstorm of the year")

domingo, 13 de janeiro de 2008


há pessoas que ateiam lumes e depois fogem

nunca percebi do que fogem
se do fósforo
se da cinza

talvez aquele quente
seja frio demais para os aquecer...






(foto:marcin klepacki- "after fire...")

sábado, 12 de janeiro de 2008



"creio que o mais egoísta dos homens é aquele que recusa dar aos outros a sua fragilidade e as suas limitações. Quem recusa aos outros a sua pequenez, comete um dos mais infelizes gestos de prepotência. E porque aí se rejeita, aos outros não poderá dar senão o sofrimento da perda. Querendo-se sem falha, será o mais incompleto de todos os seres."






























daniel faria - agosto de 1993
in, "o livro do joaquim"
edições quasi, pag.74


(fotos: katia chausheva - "petrovki/untitled")


não tenho que aprender a ser perfeita
tenho que aprender a amar a minha imperfeição



(... e isso custa... custa mesmo...
é doloroso suportar-me...)










(foto: katia chausheva - "la bayadère")

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

acrobata


sempre fui acrobata
lembro-me de me contorcer perante a paixão mais sublime
e de arremessar feixes de fogo ao mais indolente dos amores

a vida deu-me sempre a volta:

fiz-me acrobata para dar a volta à vida
transformando o inacreditável em real
o inverosímil em verdade

em todos os palcos
todos os saltos que dei foram sem rede
e se ainda tenho um corpo
é porque as minhas asas são grandes demais para me deixar tombar





(foto:alex rossi - circus 3)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008






por muito que queira... não dá para explicar...

não dá para explicar mesmo...

(sem palavras - só corpo e alma!)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

dias de calar


às vezes penso que seria bom sentir a reclusão das horas...

já pensei muitas vezes tornar-me monja
daquelas despojadas do mais ínfimo bem
descalças no chão mais frio...




o silêncio atrai-me como me atraem todas as coisas inatingíveis
como me atraiem todas as coisas indizíveis

penso muitas vezes nisso
em ser monja
principalmente quando estou assim como hoje...
frágil... prestes a quebrar...



quem comigo passa algumas horas
sabe bem do quanto as minhas palavras podem ser lâminas
gumes rasgando a pele
do quanto podem vir a ser ferida

basta que alguém me diga uma sílaba no momento exacto de detonar
basta que eu tente chegar ao fundo, em queda, ao abismo de mim...



as palavras...
os dias do calar falhado
as palavras...

a saída de som com que as pronuncio
a modulação lacerada pela boca
o impacto de cada letra no corpo em frente
alvo fácil para onde direcciono a minha raiva...

palavras
frias... cortantes...

o choro evaporado de as ter dito assim... a seco...



é premente que existam dias de calar...
para que ninguém saia ferido
para que só eu possa morrer-me


calar é tentar preencher a medida certa da minha ferida
(haverá calar suficiente para isso?)



talvez se eu fosse monja...
silenciosa...
talvez...

nos dias em que consigo o silêncio das palavras
elas transformam-se em facas suicídas
vísceras atingidas
pelas setas do som
grito inaudível
esventrado



palavras...

era tão bom cala-las definitivamente...
era tão bom serem suficientes para me morrerem todas cá dentro...




os dias de calar são metrónomos tangíveis por sombras opacas
os dias de calar são cada vez mais longos e esguios
difíceis de conquistar no ruído da casa



ouço os sons
o barulho da rotina morna
apetece-me ficar quieta, parada, aqui no quarto pequeno...
fumo do incenso
a invadir o mínimo de espaço

para ser monja
talvez precisasse de me desapegar deste ícone
desta vela acesa ao final do dia...

para ser monja
talvez precisasse de abrir apenas esta mão teimosamente fechada



não teria muito a perder...
mas tenho medo...


de perder tudo o que já não tenho
de perder o que nunca tive


o teu cheiro
a pele de alguém
a respiração quente nas poucas vezes que te aninhas ao meu lado nesta cama...
e...


seria capaz de muita coisa
percorrer um país árido por um abraço
atravessar o deserto para ver um pôr-do-sol
reduzir-me a cinza em troca de um beijo

sim... seria capaz de muita coisa menos
desse silêncio parado
desse caminho caminhado
desse "cumprir" saciado


talvez nunca me venha a tornar monja
por não ter essa coragem
de assumir o choro na forma de um corpo
até ao último dia
derradeiro dia no final do som...



mas há dias de calar
são necessários para que ninguém saia ferido...


é por isso que às vezes não falo quando chego a casa
fecho à chave a porta do quarto pequeno
e fico assim, na posição reduzida
mãos agarradas às pernas magras
joelhos dobrados


feto crescido demais para poder nascer



fico assim de olhos abertos sem conseguir adormecer
a vela acesa consumindo o ar
oxigénio interior a esvair-se




talvez se eu fosse monja eu tivesse sítio em que reclinar esta cabeça
talvez se eu fosse monja eu conseguisse dormir o sono justo...
silêncio calado...


a reclusão das horas...









(foto:joannés ceyrat - "un arbre")

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

chance


"walk in silence
walk away in silence
see the danger
always danger
endless talking
life rebuilding
don't walk away
face the danger

walk in silence
don't walk away in silence
see the danger
always danger
rules are broken
false emotions
don't walk away

people like you find it easy
always in tune
walking on air
they're hunting in packs
by the rivers
throught the streets
it may happen soon
then maybe you'll care
walk away
walk away from danger

i'm just crossing the line
trying to get back
right where i was
back where i was
see me crossing the line
don't walk away



(ian curtis - 1ª versão de "atmosphere")


http://obsessedbythissong.blogspot.com/2007/12/atmosphere.html

terça-feira, 11 de dezembro de 2007


ontem à noite uma senhora contou-me uma história de olhos tristes
sentei-me numa das últimas filas da sala 3 do king
e fiquei a ver os gestos e os poemas
a tristeza que se foi e a que ainda resta


e a senhora sempre a contar uma história
que terminou aos 23
uma história que continua aos não sei quantos...

saí para a noite fria...

apeteceu-me caminhar
só um bocadinho
entre os prédios vazios da cidade parada

de roma a entrecampos
apeteceu-me fumar um cigarro sem lume
(nem sequer tenho já por onde arder)




apeteceu-me cantar uma "weeping song"
apeteceu-me contar que há outras histórias depois dos 23
as dos que ficam sempre com aqueles que se vão


se eu contasse...


mas hoje...
hoje é dia de calar...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

poema dum funcionário cansado


"a noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita

estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com a vida às avessas a arder num quarto só

sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
débito e crédito débito e crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na conta de empregado
sou um funcionário cansado dum dia exemplar
porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

soletro velhas palavras generosas
flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música

são palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só"



(antónio ramos rosa
de, o grito claro - 1958)



(foto: gene laughter - "antique word processor")

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007


hoje pela manhã
esta estação parece-me igual a ontem à noite
algumas horas de distância e tudo igual

os comboios chegam e partem
e eu ando neles
como quem anda de barco
num alto-mar de trovoadas

na dormência acordada dos dias
vou deixando passar estações
vou acotovelando entradas
forçando saídas


(este comboio não tem destino
não pára aqui, já...porquê?)




esta estação pela manhã
parece-me igual a ontem à noite

parto cedo
chego tarde
nunca é de dia aqui


esta estação pela manhã
parece-me igual à noite



eu fiquei no cais de embarque à tua espera
passaram por mim todas as pessoas que te teriam acompanhado naquele comboio
no final de tudo
cais vazio

o revisor sai por fim
ombros pesados da viagem
caminha com a certeza refreada de capitão de um barco alvoraçado
de capitão que não teve a força de controlar as velas

caminha em direcção a mim como se viesse em recado


os olhos brilhantes de contenção
o silêncio quebrado de calar
entrega-me em mãos o teu bilhete obliterado







hoje pela manhã
esta estação parece-me igual à noite
alguns anos de distância e tudo igual











(foto:cédric friggeri- "train")

terça-feira, 4 de dezembro de 2007



apetecia-me agora viajar
caminhar pela estrada de part...





(música: arvo part
filme: softnrewind)